• Mariana Lacerda

São Paulo: uma cidade que não oferece benefícios aos paulistanos







Hoje acordei com muita vontade de colocar o dedo na ferida. Chega dessa historinha de falar que São Paulo é a capital mais importante da América Latina, responsável pela geração de grande parte da riqueza nacional. É papo furado o discurso de que a metrópole é inclusiva e a cidade em que todo mundo tem espaço para se desenvolver.


Não há dúvidas quanto a pujança paulista. É uma cidade eminentemente especializada em receber turistas ávidos por bons negócios, com alguns parcos espaços para aqueles que desejam acompanhar grandes eventos realizados em terras paulistanas.


Por mais incrível que pareça, os primeiros parágrafos deste artigo não são contraditórios. Existem várias comunidades e aldeotas numa mesma região da cidade de São Paulo, que muitas vezes são esquecidas pelo Governo Municipal, independentemente do partido escolhido pelo chefe do Poder Executivo.


Não podemos falar apenas do lado de uma cidade que tem mais de 12 milhões de habitantes. Não vivemos dentro do comercial institucional ou de creme dental, em que todos aparecem sorrindo. A pujança de São Paulo é fruto da árdua luta travada por esses milhões de pessoas que acordam de madrugada e precisam se deslocar por duas ou três horas dentro de veículos sujos, com a presença de baratas, inclusive, graças a falta de um plano de mobilidade.


Os problemas não são enfrentados apenas por quem utiliza o ônibus para locomoção. As ruas e avenidas paulistanas estão entupidas e carros e buracos. E, apesar de amplamente conhecidos, a Prefeitura escolhe os horários de rush para realizar obras nos canteiros centrais das principais vias, tais como Radial Leste e 23 de maio, o que aumenta ainda mais os problemas de deslocamento dos cidadãos.


Quem anda a pé, por incrível que pareça, também não está imune aos desmandos governamentais. A montanha russa é mais segura do que o pavimento e as calçadas da nossa amada cidade. Será que dá para concorrer com as ciclovias feitas nos locais mais absurdos possíveis? Creio que não! Temos um alto número de quilômetros de ciclovias, mas, quais delas são transitáveis em segurança? Prefiro nem me manifestar sobre o tema.


Quantos viadutos já pegaram fogo nos últimos tempos? Deve ser por geração espontânea, afinal, nenhum técnico da municipalidade sabe, ao certo, o que acontece debaixo das nossas pontes e viadutos.


Mais duvidoso do que descobrir quem matou Odete Roitman é saber o motivo pelo qual as pistas resolvem se deslocar. Isso me faz lembrar dos transtornos enfrentados pelos paulistanos que utilizavam a Marginal do rio Pinheiros durante o degrau que resolveu emergir do nada, como que por geração espontânea.


Falando em transtornos. Não é de hoje que as enchentes causam alagamentos e contribuem sobremaneira para que centenas de pessoas percam os pertences adquiridos ao longo de uma vida inteira de trabalho. Infelizmente, os nossos governantes só lembram desse problema quando as águas de dezembro, janeiro, fevereiro e março estão afogando a população.


Cultura é algo que, infelizmente, só vale para os mais ricos, que podem, embora não devam, fumar drogas em locais nobres. Quem mora na periferia corre sério risco de ser assassinado durante um baile funk que, independentemente, do gosto musical, representa uma expressão artística das comunidades.


Final de ano é época de reflexão. Não basta lembrarmos apenas das coisas boas. As ruins precisam receber luz da sociedade para que as melhorias realmente aconteçam e contentem a todos os paulistanos, independentemente da região em que habitam e constroem as famílias.



Mariana Lacerda. Criado por TSA Comunica. Direitos Reservados.