• Mariana Lacerda

Os dilemas de quem precisa usar transporte público em São Paulo





Em São Paulo, quem precisa se deslocar tem que ter muita paciência. Pesquisa, recentemente divulgada por um órgão de imprensa, aponta que a velocidade média dos ônibus é de 16 quilômetros por hora. Um absurdo se imaginarmos as distâncias médias entre os pontos da pauliceia desvairada.


Não se trata de falta de política pública focada no transporte de passageiro. Na verdade, o que falta é o interesse público em retirar carros, motos, caminhões e outros veículos das ruas, oferecendo uma alternativa confortável e decente para os deslocamentos, sem empurrões ou assédio contra mulheres, tarifa justa, entre outros fatores.


Não podemos negar que houve um tempo que a construção de novos corredores e faixas exclusivas era a prioridade. Meio sem critério ou planejamento, é verdade, mas uma tentativa existiu e não podemos deixar de lado. Mas, aí, o grande problema foi o de continuidade, não das faixas, da intenção do governo municipal seguinte em terminar aquilo que havia sido começado pelo prefeito da gestão anterior. De lá para cá, nenhum metro foi feito. Pelo contrário, o que mais vemos é desconstrução da política pública de transportes.


A construção de novas faixas para bicicletas até começou, mas, infelizmente, essa iniciativa teve vida curta. Alguns motoristas reclamam da existência delas e da necessidade de terem que dividir espaço com ônibus e bikes numa mesma via. O risco de acidentes é grande, principalmente se não houver planejamento adequado. Tem faixa que começa no meio da vida, do nada.


Não obstante, lembramos que o novo transporte público rodoviário municipal teve início a partir de uma grande greve em que a ex-prefeita: Luiza Erundina, precisou apelar ao transporte clandestino para que a cidade de São Paulo pudesse ter vida e não sofrer com o caos.


Face ao exposto, vira e mexe me pergunto: será que existe uma máfia que proíbe o transporte público da capital de ser de qualidade? O impede a realização de novos investimentos? Será que esse caos é necessário?


Se já não bastassem os problemas nossos de cada dia, tem como piorar. O sindicato dos Metroviários planeja uma greve para paralisar o modal ferroviário que, se por um lado, cria problema aos usuários, traz a baila um questionamento: porque o Governo não investe na melhoria dos proventos pagos a esses servidores?


Embora seja de vital importância, resolvi levantar questionamentos, por último, quanto ao funcionamento, ou a falta dele, da linha 15- Prata, do Metrô, Monotrilho, Fura-Fila, enfim, o nome é o que menos importa e depende da gestão para batizá-la. São quilômetros de trem de superfície que estão parados a mais de 10 dias, continuamente, por causa de um pneu. Se houver algum problema para o governo do Estado, prometo pedir a algum amigo que substitua o pneumático furado e que está gerando tantos transtornos. A população não aguenta mais tamanha ingerência e falta de respeito.


Mariana Lacerda. Criado por TSA Comunica. Direitos Reservados.